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ONDE ESTÃO OS GÊNIOS DO NOSSO SÉCULO?

por Rebeca Natielle Rego Santos

Fonte: imagem gerada por IA

Tratando-se da ciência hodierna, é inegável que a produção científica se ampliou em patamares históricos. Entre os anos de 1996 a 2023 o número de artigos publicados por cientistas dobrou, demonstrando uma crescente significativa no montante de produções acadêmicas. Entretanto, é válido o questionamento sobre quão relevantes estão se tornando as produções e descobertas feitas em nosso século.

Descobertas cientificas inovadoras e que romperam barreiras e paradigmas foram amplamente comuns entre os séculos passados. Os grandes gênios são lembrados até os dias de hoje em todas as escolas de conhecimento, nas mais diversas áreas. Nomes como Isaac Newton, Nikola Tesla, Michelangelo, Albert Einstein, Leonardo da Vinci e tantos outros, são fundamentais para o conhecimento cientifico, devido a descobertas que mudaram o rumo da humanidade. Devido a esse fato, é fácil se questionar sobre onde estão os grandes gênios dos dias atuais.

O mundo digital e a era da alta comunicação ampliaram e facilitaram de forma altamente considerável a busca pelo saber. Ferramentas como a inteligência artificial, blogs de pesquisa acadêmica, videoaulas dos mais diversos temas e conteúdos didáticos disponíveis nos mais diversos meios, permitem que um leigo em determinado assunto possa compreender tópicos de natureza extremamente complexa, como teoria quântica ou relatividade. Dessa forma, por uma analogia simples, a quantidade de indivíduos com amplo conhecimento e genialidade deveriam ter ampliado de maneira proporcional, uma vez que, atualmente é possível adquirir muito mais conhecimento e de maneira instantânea, do que aquele disposto a cientistas passados, como o próprio Einstein, por exemplo. Porém, as produções de conhecimento atual, tornaram-se muito mais sobre a melhoria de conhecimentos já consolidados, principalmente referentes a tecnologia e informação, do que novas descobertas que realmente mudassem o rumo do conhecimento ou aquilo que já foi estabelecido no meio. Outras áreas também parecem “sofrer desse mesmo mal”, como a literatura, as artes e a música, onde a produção serve a propósitos muito mais comerciais e de interesses individuais do que ao conhecimento geral.

Algumas explicações são possíveis e esclarecem tal realidade. A valorização acadêmica por montante de artigos publicados explica a grande crescente em publicações de trabalhos científicos, mesmo que seja em pequenos avanços em linhas especificas. Outro fato, é a necessidade de adaptação do conhecimento, justamente devido ao acesso em massa. A ciência e tecnologia modernas são altamente complexas e os avanços exigem um vasto conhecimento em diversas áreas, por isso, tornou-se muito mais comum a pesquisa colaborativa, como as vencedoras do Nobel de Química, Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna, que desenvolveram a ferramenta de edição genética CRISPR-Cas9. Dessa forma, torna-se muito mais difícil encontrar a figura de um grande gênio em uma única pessoa, uma vez que a genialidade reside na colaboração de grandes mentes pensantes de áreas distintas do conhecimento.

Surge então um questionamento ainda mais complexo: o que define a genialidade? Se todos tem acesso a informação, como quantificar o conhecimento? O economista Tyler Cowen, em seu livro “The Great Stagnation“, argumenta que a sociedade está em um “platô de inovação” porque as “frutas fáceis” já foram colhidas. Ou seja, as grandes invenções que mudaram a humanidade, como a eletricidade e o motor a combustão, já foram feitas. Assim, as inovações atuais, embora extremamente impressionantes, complexas e inovadoras não são tão revolucionarias, por não possuírem o mesmo impacto, muito pela forma como a sociedade se acostumou com a tecnologia. O gênio da atualidade não é mais um inventor, mas sim aquele que une conhecimentos e usa essa tecnologia para quebrar paradigmas não antes vistos como Demis Hassabis, cofundador da DeepMind que é uma empresa focada em inteligência artificial, ou Katie Bouman, que desenvolveu o algoritmo e liderou a equipe que capturou a primeira imagem de um buraco negro, que são exemplos de pessoas que usaram a tecnologia como um impulsionador para alcançar o que parecia impossível.

Além disso, outras habilidades podem ser vistas como genialidade, como a capacidade de mobilizar e inspirar milhões de pessoas em temas que atingem todo o globo, como mudanças climáticas, preservação da natureza, erradicação da fome e problemas humanitários diversos, uma vez que, em sua essência, a genialidade é a capacidade de fazer a diferença.

Por fim, é possivel perceber que grandes nomes como Einstein e Newton não ecoam mais como antigamente, porém, isso não anula o conhecimento que está sendo formado agora, seja ele de modo coletivo ou individual, em áreas acadêmicas ou sociais, pois o que impulsiona a genialidade é a transformação do mundo ao seu redor, e o mundo atual tornou-se muito mais complexo com o decorrer dos séculos.

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Sobre Rebeca Natielle

Bacharelanda em Engenharia Elétrica pelo Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia da Bahia (IFBA) – Campus Vitoria da Conquista. Vice-Presidente do Diretório Acadêmico de Engenharia Elétrica (DAEE). Membro dos Grupos de Pesquisa: Grupo Interdisciplinar de Estudos Avançados em Direito, Economia, Administração e Saúde e Segurança do Trabalho (GIINEA-DEASST) e Sistemas Complexos, ambos vinculados ao Instituto Federal da Bahia. Colunista voluntária do InQ.Ifba (Portal de Inovação e Qualidade) e colaboradora do instagram @inqportal.