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Escritores Conquistenses

   O Portal InQ.Ifba conversou com o professor Valmir Henrique de Araújo e traz detalhes dessa conversa para vocês.

   O professor Valmir é docente da disciplina Física na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e possui uma paixão pela literatura.

   A vontade de escrever surgiu na infância. Na época, sua mãe e seu pai eram analfabetos, mas pelo fato de seu pai lhe contar muitas histórias de cordel, talvez tenha despertado nele o interesse em querer imitá-lo. O professor escreve histórias há algum tempo, mas tem certeza que jamais contará história igual ao seu pai.

   O professor Valmir começou sua jornada como escritor escrevendo canções e participou de festivais de música. Quem o ensinou as primeiras notas de violão foi o seu amigo “Bica” – Severino Silva. Valmir escreveu duas letras e uma foi escolhida por Bica para ser tocada no I Festival Estudantil de Paulo Afonso – I FEMPA. Venceram com a música Súplica, uma oração ao pai do escritor.

   Com o poema Ler, ganhou em segundo lugar o prêmio dos 90 anos da Academia Pernambucana de Letras. Fez oficina literária com Raimundo Carrero – jornalista e escritor pernambucano – com quem aperfeiçoou seu conhecimento como escritor. Além disso, fez curso de roteiro de cinema em Salvador, em uma fundação alemã. Em Vitória da Conquista, ele escreveu uma peça chamada “De olho pregado no céu”, uma história sobre Galileu que foi dirigida por Selma Oliveira. Por conta dessa peça, foi convidado pelo escritor Carlos Jeohvá a se candidatar para membro da Academia Conquistense de Letras, no ano de 2001. Após a avaliação de seus livros, foi aceito pela Academia e atualmente ocupa a cadeira No 2, Graciliano Ramos. Para Valmir é uma ótima coincidência, pois sua mãe é alagoana.

   As professoras de Literatura e Português do CEFET lhe pediam para escrever textos literários e aplicavam nas aulas. Dentre os textos, teve um que ganhou um concurso da UESB em 1998. Nesses últimos 10 anos foram 10 prêmios. Durante o doutorado foram dois, sendo que um é um ensaio sobre Galileu e Caetano Veloso, com base no princípio da relatividade de Galileu e da música Trem das cores. Além disso, em 2004, foi ganhador do Concurso Artístico-Literário da UESB – Prêmio Professora Zélia Saldanha, com o livro de contos “A invenção do artista”; em 2010 concorreu novamente e ganhou com o livro “A blusa estampada”. A boa coincidência é que este livrou levou 10 anos para ser escrito e venceu sozinho o décimo Concurso.

   Em 2014 o professor se inscreveu com “Os trançados de Lia” e foi premiado na categoria Literatura Infantil. O livro conta a saga de crianças quilombolas narrada por meninas. Foi uma história escrita em dois minutos e trabalhada durante 9 meses. Além disso, foi selecionado com o conto “O menino das estrelas”, no I Concurso Literário do Servidor Público da Bahia.

InQ. Ifba: Valmir, você conhece muitos escritores em Vitória da Conquista?

Valmir: Acredito que conheço poucos. Recentemente eu conheci uma poetisa. Uma poetisa de verdade. Ela possui um grau fantasticamente artístico. Em um dos poemas chamado de “Língua de gente”, ela diz na primeira estrofe o seguinte:

“A cabeça pergunta o nome de tudo,

os olhos invadem os donos dos nomes,

a língua dá nome aos bois,

porque só os bois conquistaram o sentido da palavra ruminada”.

   O nome dela é Adriana Martins Moreira. A construção dela é fora do comum, por isso eu fiz questão de citar.

   O professor Valmir está escrevendo três romances e já possui 23 roteirizados. Agora está escrevendo um livro sobre sua experiência no segundo pós-doutorado e uma história infantil sobre a origem do universo, sendo que cosmologia é o pano de fundo de onde emerge as doenças da discriminação racial e de gênero. As vezes interrompe essa escrita para escrever contos, algo que faz sem saber o motivo, mas apenas por gostar de escrever e de ler. Para ele, não é sempre que acerta nas leituras, mas lê sobre ciência, história e filosofia da ciência, que são suas leituras preferidas.

   Valmir foi convidado pelo corpo discente do IFBA à ministrar uma palestra como uma das atividades durante o período da ocupação, sendo sua participação um momento de descontração que contribuiu para o conhecimento literário dos alunos presentes.

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Sobre Jennifer Nogueira

Jennifer Nogueira, graduanda do curso de Engenharia Elétrica pelo IFBA - Campus Vitória da Conquista. Voluntária do Portal InQ.IFBA e estagiária na Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista - PMVC.