por Henrique Xavier e Hugo Prado

O controle social é um importante instrumento utilizado para caracterizar os órgãos colegiados entre os governantes e a população, sua associação com os serviços de saneamento básico é medular para o atendimento dos índices recomendáveis pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No entanto, indaga-se sobre como esses índices são controlados a fim de oferecer a qualidade potável para a população brasileira.
Em “Gestão econômico financeira no setor de saneamento – Funasa / Ministério da Saúde”, 2014, o Brasil passou por normatização nos serviços públicos de saneamento pelo estado unitário nos períodos colonial e imperial, atingindo modelos híbridos desde a proclamação da República Federativa em 1891. A gestão do serviço é regida pelas disposições constitucionais e organizadas pela política do estado, unitário ou federal.
O acesso facilitado à água potável é um fator determinante para saúde e desenvolvimento humano populacional; os autores Rocha e Soares, afirmam que em regiões secas, como semiárido brasileiro, a escassez de água, por menor incidência de chuvas, está relacionada a uma maior mortalidade infantil, da mesma forma que o menor peso no nascimento e/ou um menor período de gestação. Em um cenário, que envolve saúde pública, a política pública determinará a proteção e bem-estar das famílias vulneráveis.
A promoção do saneamento para a população, além de assegurar qualidade de vida, ambientalmente previne que esgotos e resíduos sólidos poluam águas e solos. O planejamento do saneamento não considera as mudanças climáticas, mesmo que exista a possibilidade de seca ou inundação, que impacta diretamente na disponibilidade das águas mananciais, como resultado, o impacto é proporcionalmente direto no abastecimento de água, e pessoas em situação de vulnerabilidade social serão as principais afetadas pelo não planejamento efetivo de distribuição.
Exemplificando uma intervenção por políticas públicas tem-se o Programa Cisternas, do Governo Federal, que promove acesso facilitado à água com qualidade para consumo humano para famílias rurais mais vulneráveis. A promoção é feita por construção de cisternas em casas de famílias rurais, mais vulneráveis, onde ocorre a captação de águas na estação chuvosa; é uma solução de baixo custo e funcional. Alguns autores associam o programa a resultados neonatais, baseando-se em dados de registros com resultados de partos com microdados sobre a construção dessas cisternas, sendo evidenciado o efeito positivo quanto ao peso no nascimento.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – ipea, 2022, declara que no Brasil há uma forte relação entre pobreza e saneamento, com uma área de atuação comum entre a política de saneamento e as demais ações do governo federal. Ex Ante Consultoria Econômica, no estudo ‘Benefícios Econômicos e Sociais da Expansão do Saneamento’, estima a valorização imobiliária de R$ 447,5 bilhões em valorização imobiliária, e R$ 190,4 bilhões em aumento da produtividade do trabalho até 2036. A não universalização deste serviço tende a uma perpetuação da pobreza, visto que a pobreza causará um baixo saneamento e acesso à água potável: um saneamento irregular ou acesso insuficiente à água potável promove a perpetuação da pobreza.
O controle social tem a atribuição inerente e imprescindível de desempenhar o papel de vigilância do poder, no entanto, é inadmissível que exista o mínimo de distanciamento de sua função. Por tanto, deve-se prevalecer o exercício da cidadania para promoção do saneamento e visibilidade, do corpo social e governamental, de mais programas com este cunho.
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https://www.smarh.eng.ufmg.br/defesas/1333M.PDF?src=16678
https://www.smarh.eng.ufmg.br/defesas/1171M.PDF?src=4223
https://www.smarh.eng.ufmg.br/defesas/501M.PDF?src=30730
https://www.gov.br/mds/pt-br/acoes-e-programas/acesso-a-alimentos-e-a-agua/programa-cisternas
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