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BRAIN ROT: A MENTE NA ERA DIGITAL

por Rebeca Natielle R Santos

Fonte: imagem gerada por IA

O termo brain rot”, ou em português, “apodrecimento/podridão cerebral”, ganhou notável destaque após ser eleito em 2024 como palavra do ano pelo dicionário Oxford. Seu conceito é dado como “a suposta deterioração do estado mental ou intelectual de uma pessoa, especialmente vista como resultado do consumo excessivo de material (agora particularmente conteúdo online) considerado trivial ou pouco desafiador. Também: “algo caracterizado como provável de levar a tal deterioração”.

A escolha da palavra do ano, é permeada por uma série de critérios, dentre os quais, as evidências de uso através do banco de dados do programa de pesquisa que mostrem sua relevância no cenário global no ano em questão, votação popular e avaliação de especialistas em linguagem, o que explica a popularização rápida dos termos vencedores.

A primeira menção catalogada ao termo brain rot encontra-se presente na literatura americana há mais de um século, no livro Walden, escrito por Henry David Thoreau. Sua crítica estabelece um paralelo entre a maneira como a sociedade demonstra preferência ao pensamento simplista e a trivialidade em detrimento do desenvolvimento de ideias complexas e passíveis de esforço cognitivo e intelectual. Tal tendência acaba por gerar um declínio geral no comportamento socialmente aceito, aliado à alienação mental e a manutenção do comodismo e estagnação.

O advento da era digital traz um novo significado a tal linha de pensamento. A popularização de redes sociais como o TikTok e o alto fluxo de mídias cada vez mais curtas, dinâmicas e que oferecem baixa qualidade de conteúdo, e ao mesmo tempo altas doses de satisfação ao expectador renovaram o sentido da expressão. Passar horas consumindo altas cargas de conteúdos supérfluos na busca por satisfação pessoal, que não estimulem as capacidades intelectuais do cérebro já está sendo associado a uma série de sintomas ligados aos domínios cognitivo e emocional.

O tempo excessivo de tela pode resultar em condições como o desgaste físico, exaustão mental, problemas de concentração, dificuldades de aprendizagem, problemas de memória, baixas nas interações sociais e percepções distorcidas da realidade presente, o que intensifica o potencial desenvolvimento de condições como ansiedade e depressão. Dessa forma, o consumo frequente de estímulos fragmentados, acelerados e superficiais presentes nas redes acaba por “apodrecer o cérebro”, gerando um ciclo vicioso de comodismo e diminuído as capacidades de evolução e adaptação a estímulos intelectuais de desenvolvimento e aprendizagem.

Fonte: imagem gerada por IA

A crescente preocupação com o tema mostra-se presente principalmente entre as novas gerações que são indicadas como as mais afetadas pelo fenômeno, os números indicam um aumento de 230% de pesquisas referentes ao termo entre os anos de 2023 e 2024. Para além, a necessidade de novas linhas de pesquisas ligadas a psiquiatria e a neurociência são fundamentais para melhor compreensão dos reais impactos trazidos pelo novo comportamento vigente e novas maneiras de diminuir as negativas presentes na atualidade. De maneira geral, comportamentos simples e intuitivos podem ser tomados de modo a combater o brain rot. Consumir conteúdos consistentes, estabelecer prazos e horários de utilização das redes, manter uma rotina sólida com atividades ligadas ao mundo físico garantem um equilíbrio saudável e manutenção do bem-estar mental.

Diante do cenário disposto, inciativas na esfera pública estão sendo tomadas ao longo do globo para minimizar os impactos gerados às novas gerações, possivelmente mais afetadas pelo fenômeno em questão. O senado Australiano, à exemplo, aprovou em novembro de 2024 uma lei que restringe o uso de redes sociais para menores de 16 anos, que prevê multa ao não cumprimento da norma. Já no Brasil, em 2025, a Lei nº 15.100/2025 chamou a atenção de todo o país, devido a proibição de celulares no ambiente escolar, iniciativa tomada com o intuito de reduzir os impactos negativos gerados pelo excesso de mídias sociais na relação de aprendizado, concentração, foco e saúde mental dos estudantes.

Gostou do conteúdo? Caso queira conhecer mais sobre o assunto leia os artigos referência ao texto em: https://corp.oup.com/news/brain-rot-named-oxford-word-of-the-year-2024/# e https://www.researchgate.net/publication/388378139_O_Fenomeno_Brain_Rot_implicacoes_na_saude_mental_e_os_desafios_para_a_psiquiatria. Não deixe de conhecer as nossas matérias semanais inéditas, que, com certeza lhe ajudará em vários aspectos. Visite também o nosso Instagram @inqportal e se quiser nos enviar alguma sugestão, esse é o nosso e-mail: inq.vdc@ifba.edu.br

Sobre Rebeca Natielle

Bacharelanda em Engenharia Elétrica pelo Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia da Bahia (IFBA) – Campus Vitoria da Conquista. Vice-Presidente do Diretório Acadêmico de Engenharia Elétrica (DAEE). Membro dos Grupos de Pesquisa: Grupo Interdisciplinar de Estudos Avançados em Direito, Economia, Administração e Saúde e Segurança do Trabalho (GIINEA-DEASST) e Sistemas Complexos, ambos vinculados ao Instituto Federal da Bahia. Colunista voluntária do InQ.Ifba (Portal de Inovação e Qualidade) e colaboradora do instagram @inqportal.